Dançando a vida e vivendo a Dança

Dançando a vida e vivendo a Dança
A dança é para todos, independente do sexo, idade, cor e religião

A dança é para todos, independente do sexo, idade, cor e religião

Algumas pessoas defendem que a dança surgiu antes mesmo que as linguagens mais rudimentares. O Homem teria dançado para expressar emoções e sentimentos que nem sequer compreendia. Dessa forma, movimentos eram usados para expressar aos companheiros aquilo que os sons não eram capazes de fazer. Outras teorias afirmam que a dança surgiu única e exclusivamente para que a música pudesse ser traduzida em movimentos; sendo todas as outras funcionalidades da dança conseqüências desta primeira. Sobre essa polêmica de origens, nada iremos falar.

Isso não nos interessa. O fato é que as danças são parte da história da humanidade. Sem elas, algo importante do ser humano não existiria. Percorrendo alguns trabalhos antropológicos sobre diversas culturas, podemos, sem muito esforço, perceber que o homem dançou quando entrou em guerra, quando pediu chuva, quando agradeceu a colheita, quando estava feliz, quando estava triste, quando se despediu de quem foi embora, quando comemorava um nascimento, para lembrar de quem morreu. Ao redor do mundo, ainda hoje, o ser humano dança para celebrar, para se lamentar, para se divertir, para ter saúde.

Representação de uma dança grega do séc. VI a.C.

Representação de uma dança grega do séc. VI a.C.

E se ao invés de nós simplesmente vivêssemos as nossas vidas, nos permitíssemos à loucura ou sabedoria de dançá-la?  Roger Garaudy, filósofo francês defendeu esta idéia no seu livro “Dançar a vida”, que, entre outros muitos temas, trata também da saúde do corpo que dança.

A relação entre dança e saúde muitas vezes aparece no imaginário coletivo como óbvia; assim como diversas atividades físicas são imediatamente ligadas ao ideal de comportamento saudável pelo simples fato de serem, nominalmente, “Atividades Físicas”, alicerçados em tratados fisiológicos que assim as classificam.

Também a teoria psicogenética estende sobre a Dança um rótulo: esquema de conhecimentos que fornecem às crianças uma gama de estímulos cognitivos ricos e proveitosos, confirmando cientificamente que as crianças que dançam:

•    Adquirem maior equilíbrio e noção de espaço-tempo (trabalham o seu próprio ritmo),
•    Desenvolvem esquemas motores mais rapidamente (crescem capazes de realizar movimentos mais complexos com mais facilidade);
•    Colocam seus próprios esquemas de conhecimento em confronto com o de outras crianças (interagem com outras crianças aprendendo mais cedo a estabelecer contatos sociais).

Tango: uma dança simplesmente apaixonante.

Tango: uma dança simplesmente apaixonante.

Como atividade física que é, a dança possui algumas características que a tornam um excelente comportamento saudável:

•    coordenação motora: ampla (quando você consegue coordenar movimentos de perna  e braço, por exemplo) e fina (quando você consegue coordenar movimentos de pequenos seguimentos como cintura  e ombro);
•    resistência cardio-respiratória: a maioria das modalidades de dança têm um componente aeróbico marcante, possibilitando melhorias no sistema cardíaco e respiratório e privilegiando a quebra de lipídios como fonte de energia;
•    consciência corporal: TODAS as modalidades de dança possibilitam uma maior compreensão de como está o seu corpo e como ele se localiza no espaço em que se encontra;
•    resistência muscular localizada: seqüências de repetição durante o aprendizado dos passos funcionam como um verdadeiro trabalho de RML, melhorando o tônus muscular e otimizando o gasto de energia do corpo durante o exercício aeróbio.

Dançar é curtir a vida e ser feliz.

Dançar é curtir a vida e ser feliz.

Assim, pela Fisiologia e pela Psicogenética, está “cientificamente provado” que “dançar faz bem” e sobram artigos científicos no “Scholar Google” para dizer isso.
Porém, mais do que uma atividade física, a dança é uma arte. E, como arte, as danças configuram-se em uma poderosa linguagem. A dança é “expressão através dos movimentos do corpo organizado em seqüências significativas de experiências que transcendem o poder das palavras e da mímica” (Garaudy, 1980 p. 24). Através do corpo que dança, pode-se expressar aquilo que nós não conseguimos por meio das outras linguagens, sejam comuns ou artísticas.

Dançar é dar atenção a todos os detalhes de sí mesma

Dançar é dar atenção a todos os detalhes de si mesma.

Acredito que a maior vantagem da Dança enquanto componente de uma forma saudável de viver não encontra esteio na fisiologia, mas na filosofia.
Platão recomendava o teatro, a música e a dança para que fossem curadas todas as enfermidades da alma através do corpo. A dança, que ao lado da música e do teatro formavam as Artes Cênicas da antiguidade, deslocou-se para uma esfera própria que não a do teatro. Como arte contemporânea, a dança se manifesta através dos signos do movimento, com ou sem a presença da música. A dança, como forma de linguagem, atinge quem a pratica e quem a assiste de formas distintas.

Dançar fornece ao corpo que dança uma nova perspectiva de “eu”. Quando “eu” danço, posso estar  olhando de dentro para o ambiente que dança ao meu redor. Posso olhar para o “eu” que dança e entender o que sinto quando realizo os movimentos que desejo realizar. Intentar movimentos que até então “eu” achava que não seria capaz de realizar, e conseguir realizá-los através da persistência em detrimento da desistência. Percebe-se, dançando, que se conhece muito pouco sobre si mesmo e sobre os que nos rodeiam.
Para além das friezas científicas, quem dança tem um comportamento saudável porque:

•    relaciona-se eticamente com outras pessoas: seja em danças individuais ou a dois a presença do corpo do outro sempre implicará em alguma mudança do comportamento do seu próprio corpo, para que esta outra presença seja respeitada;
•    percebe que o seu próprio corpo lhe é, em parte, desconhecido; e que é gostoso experimentá-lo por meio da dança (pode ser que uma tal de “adrenalina” tenha alguma coisa a ver com isso);
•    compreende que suas dificuldades em realizar coisas devem servir de combustível para realizá-las, e não ceder ao comodismo e aceitar uma suposta incapacidade;
•    consegue expressar aquilo que palavras e mímicas não conseguem;
•    é mais feliz.

Dance e seja feliz!

Dance e seja feliz!

Se quiserem minha dica para uma vida saudável, seja jovem ou idoso; homem ou mulher; erudito, chato ou hiper-ativo; a sugestão é muito simples e direta:

DANCE SEMPRE!

Dance sua vida e viva cada dança.

Sobre qual modalidade escolher, não há muito que falar… Experimente até achar a que mais lhe apetece, e tenha uma vida saudável, longa e feliz.

Autor: Duda Vila Nova

Fonte: http://dudavilanova.zip.net/

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